“Afagos. Mordidas. Carinho. Teu beijo. Risada. Você. Aqui.”
“Minha boca sopra no vento:
Eu te amo;
É eu te amo.
Então repentinamente…
Uma navalha parte em dois meu coração.”
“Aqui é só inverno o tempo todo. Faz frio, querida, muito frio. O escudo é de plástico e a tortura é a limpidez de suas paredes. A visão da primavera não me sairia tão cruel caso meus olhos pudessem saltar para fora de meu refúgio e sentir ao menos as pálpebras descansarem no perfume das rosas. A cegueira não tem cheiro, inveja ou desgosto. A cegueira me traria a paz da escuridão e a tranquilidade da noite sem estrelas. Dói escrever apenas sobre o que não tenho e o que não vi. Dói escrever sobre amor com interrogações e reticências, quando o ponto final cansou-se de mentiras. Escrevo linhas tortas sobre um sentimento primaveril que lágrimas congeladas não são capazes de alcançar. Escrevo sobre mim, escrevo sobre vários, quando nunca deixei de ser um ordinário engaiolado. Escrevo sobre um coração lendário, sobre uma rosa perfumada e uma donzela com chaves de ouro. O que dói é mentir em palavras quando tudo o que você entende por verdade não passa de três estrofes e um punhado de linhas. Meus olhos não ultrapassam paredes. Minhas mãos não apalpam almas e felicidade. E ainda assim, eu escrevo, eu floresço, eu choro, eu pinto, eu minto, eu penso em amar. Minto por ignorância e depressão, caso o amor esteja onde se possa tocar.”
“Sou um livro
de rabiscos.
Cheio de erros
escritos.”
“Me cegue com o seu amor, eu já não quero mais enxergar o óbvio que é estar me iludindo.”
— Kawanny Eskildsen
(CdD)
“Quantos anos são necessários pra reconstruir um instante?”